03/10/2026

‘PONHA NA CONTA’ NÃO ERA CALOTE!

Em tempos idos, a maioria da população portuguesa pagava ao merceeiro a dívida do mês anterior. A nossa, apontada numa dezena e tal de papelinhos, que depois de somados e da prova dos nove nos levava o rendimento todo e nos deixava, novamente, à mercê da bondade do negociante, que de outra maneira também não faria negócio, e sem fundos para qualquer emergência, médica ou social, que seria resolvida pelo improviso ou pela negligência pura e dura.

Mas falemos do presente, onde cada vez mais gente não pode viver do seu ordenado a não ser que opte por:

-não pagar a renda;

-não alimentar a família;

-não pagar impostos;

-não sair de casa dos pais;

-não viver em Portugal e, pasme-se;

-não nascer.


Muitos teriam de fazer tudo em simultâneo, alguns poderiam dar-se ao luxo de uma ou duas opções em simultâneo,  mas, a maioria, no limiar, só com três opções é que viveria com dignidade mínima.

Portanto, se isto não preocupa os nossos governantes, não lhes estimula a vontade de, nem a nossa de, então é porque está tudo bem e isto é apenas um texto de ficção literária!

 

2026-10-03 R. Xavier