Em tempos idos, a maioria da população portuguesa pagava ao merceeiro a dívida do mês anterior. A nossa, apontada numa dezena e tal de papelinhos, que depois de somados e da prova dos nove nos levava o rendimento todo e nos deixava, novamente, à mercê da bondade do negociante, que de outra maneira também não faria negócio, e sem fundos para qualquer emergência, médica ou social, que seria resolvida pelo improviso ou pela negligência pura e dura.
Mas falemos do presente, onde cada vez mais gente não pode viver do seu ordenado a não ser que opte por:
-não pagar a renda;
-não alimentar a família;
-não pagar impostos;
-não sair de casa dos pais;
-não viver em Portugal e, pasme-se;
-não nascer.
Muitos teriam de fazer tudo em simultâneo, alguns poderiam dar-se ao luxo de uma ou duas opções em simultâneo, mas, a maioria, no limiar, só com três opções é que viveria com dignidade mínima.
Portanto, se isto não preocupa os nossos governantes, não lhes estimula a vontade de, nem a nossa de, então é porque está tudo bem e isto é apenas um texto de ficção literária!
2026-10-03 R. Xavier